a outra internet
Para quem está aqui desde cedo, está sendo difícil aceitar os rumos que a internet têm tomado. Um lugar que sonhamos ser o paraíso, uma janela de possibilidades, nos tornou os mais patéticos e manipuláveis prisioneiros de grandes corporações. No início do contato do povo com o povo, todos reclamávamos da Globo, dos grandes grupos de mídia, dos monopólios da informação e etc.
Hoje, qualquer pessoa com capacidade mínima de cálcuo social reconhece a aberração que é a personalidade comum do ser humano moderno; cada vez um mais parecido com o outro, e, ao invés de estranhar as grandes corporações, reconhecem as mesmas como indispensáveis, invulneráveis, e cria até uma dependência das mesmas. Não sei o que foi feito na cabeça dessas pessoas, mas qualquer apresentação de novos horizontes é recebido com hostilidade. Não digo isso de pessoas que não conheço, digo dos meus melhores amigos e colegas - ninguém está a fim de dar um passo ao futuro. Estão todos muito satisfeitos com as coisas do jeito que elas estão.
É essa situação que cria o espectro de solidão que me assombra, e que prevejo durar por toda uma vida. Mais uma vez fazendo cálculos da tendência da situação, não nos vejo progredindo, o saldo entre progresso e regresso me leva a concluir que estamos em marcha-ré.
Estou escrevendo isso apenas como descritivo, sem intenção de argumentar, advogar ou convencer alguém de como todos estão fodidos.
Considero-me fodido junto com todos, não tenho planos e nem esperanças de ver uma grande mudança.
Isso me levou a ter ojeriza de toda a internet comum, e buscar novos lugares, mais vazios e de pessoas que tenham a mínima semelhança com a minha visão de mundo - e assim cheguei aqui, na outra internet. Nesses aplicativos, sites e plataformas que ninguém usa, ninguém conhece, que não geram lucro exacerbante e que dependem de nós, os pouquíssimos malucos solitários que estão num pânico silencioso, sendo testemunha dessa distopia que já não é mais um medo do futuro, mas sim uma agonia dos tempos atuais.
Posteriormente, pode ser que eu chegue com novas ideias e conclusões a respeito do mesmo tópico! Felizmente, aqui na outra internet, não preciso me preocupar com os clichês e obrigatoriedades da redação convencional (início, meio, fim, ordem das ideias, jornalismo básico e blablabla).